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À prova de balas
Medo
de roubos e seqüestros relâmpagos aumenta
o lucro das empresas de blindagem de veículos
e expande, no Distrito Federal, a clientela
de locadoras de carros revestidos com proteção
especial
Guilherme
Goulart
Da
Equipe do Correio
Daniel
Ferreira/CB 17.3.05
A empresária
Rosângela Jarjour mostra a frota de
Ômegas blindados disponível para aluguel:
executivos de multinacionais chegam
a quase 90% da clientela |
A tragédia se anunciou
à luz do dia. Um assaltante armado com um
revólver calibre 38 mirou a cabeça do condutor
de um Ômega preto. O motorista, parado próximo
ao balão de acesso ao Touring, ao lado da
Rodoviária do Plano Piloto, se assustou. Aproveitou
o motor ligado do carro e acelerou. O gesto
brusco fez o ladrão disparar a arma. A bala
só não atravessou o crânio da vítima porque
se espatifou em um obstáculo: a blindagem
de uma das janelas do automóvel.
A cena de violência ocorreu por volta das
12h do dia 28 de fevereiro deste ano. Na direção
do carro, estava o motorista do deputado federal
Delfim Netto (PP-SP). O rapaz, que preferiu
não ser identificado, prestava serviços no
carro particular do patrão. O veículo havia
sido blindado em São Paulo, onde o medo dos
seqüestros deixou rastros de insegurança e
provocou o aumento da circulação de veículos
com proteção especial.
No Distrito Federal, a procura por um veículo
mais seguro também aumentou por causa do medo
da violência urbana. É na capital do país
que assaltos em que as vítimas se tornam reféns
de bandidos ganham espaço a cada ano. Crimes
como roubo qualificado com extorsão (seqüestro
relâmpago) e roubo com restrição de liberdade
registraram 475 casos somente no ano passado
- crescimento de 60% em relação a 2003, segundo
dados da Secretaria de Segurança Pública do
Distrito Federal (SSP-DF).
O temor de se sujeitar às ordens de um assaltante
engorda a frota de blindados no DF. Circulam
hoje em Brasília 67 veículos particulares
revestidos de proteção especial. São 47 caminhões,
18 automóveis e duas caminhonetes licenciados
pelo Departamento de Trânsito (Detran/DF).
Por segurança, o levantamento não inclui o
número de carros oficiais usados pelo governo
federal e órgãos do Judiciário.
A preocupação das autoridades não é apenas
com o sigilo. Mas também com o seqüestro relâmpago.
O medo aumentou desde o seqüestro do ministro
aposentado do STJ José de Jesus, em novembro.
Ex-secretário de Segurança do DF, ele foi
surpreendido por dois ladrões no Parque da
Cidade. Além de ser obrigado a rodar com os
assaltantes, teve de fazer saques em agências
bancárias. Na época, preferiu não registrar
ocorrência policial.
Hoje, o Superior Tribunal de Justiça (STJ)
tem 37 Ômegas com blindagem. Cada ministro
— são 33 no total —, usa um automóvel da frota
de representação. Há ainda outros quatro de
reserva, substituíveis em caso de avaria do
automóvel em circulação.
Pedidos dobrados
A maioria das instituições públicas evita
divulgar o número de veículos blindados da
frota oficial. É o caso do Ministério da Justiça,
que não revela a quantidade de carros com
proteção extra dos servidores. Os automóveis
oficiais do órgão federal recebem a blindagem
em uma empresa de Santo André (SP) — não há
montadoras especializadas em Brasília. Um
dos carros do ministério está no pátio da
Emtec Blindagem à espera do revestimento de
aço.
A maioria da clientela brasiliense da empresa
é formada por políticos e empresários. De
acordo com o diretor comercial da Emtec, Adriano
Matos de Lisboa, os pedidos dobraram desde
dezembro do ano passado. As solicitações do
DF aumentaram de três para seis por mês. “Os
pedidos de Brasília estão crescendo. A explicação
mais provável é a insegurança”, comentou Adriano.
O medo da violência também assusta os visitantes
da capital. Quase 90% da clientela da Jarjour
Executive Services, única empresa de Brasília
que oferece aluguel de automóveis executivos
blindados, são empresários de multinacionais.
A maioria passa pelo Rio de Janeiro, São Paulo
e Brasília. E não abre mão do dispositivo
de segurança. |
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Controle do Exército
Para a diretora-comercial
da locadora Jarjour Executive Services, Rosângela
Jarjour, os clientes pagam pelo serviço em
todas as cidades por onde circulam no país.
“Não tem dúvida de que a procura é por causa
da violência”, avaliou. Cerca de 35% do total
de veículos alugados na Jarjour são revestidos
de aço. A locação dos Ômegas com proteção
especial custa R$ 1,9 mil por dez horas. Motorista
particular e gasolina estão incluídos no preço.
Mas, apesar do mercado em ascensão, o serviço
de blindagem de automóveis inibe o consumidor,
por causa dos valores do revestimento especial.
Os preços cobrados pela maioria das empresas
especializadas variam entre R$ 35 mil e R$
60 mil. Veículos como o Astra ou os de modelo
sedan são os mais baratos na hora de sofrer
modificações. Caminhonetes e versões superluxo
estão na ponta de cima da tabela.
Os valores assustam até mesmo empresários
e políticos de Brasília. O deputado distrital
Pedro Passos (PMDB) tem uma caminhonete particular,
mas resiste à idéia de instalar a blindagem,
por considerar o serviço caro. Por enquanto,
dirige um Passat preto com revestimento especial,
emprestado, sempre que tem um compromisso
à noite com a família. “É extremamente útil,
mas precisaria ser mais barato. Hoje, o seqüestro
relâmpago é o crime mais preocupante”, afirmou.
A alegação do empresário é confirmada por
empresas de blindagem de automóveis. A Safe
Guard, no Rio de Janeiro, registra mais sondagens
do que negócios fechados. “Nos últimos meses,
há mais procura de brasilienses. O problema
é que muitos rejeitam o serviço por causa
do preço”, explicou o diretor da empresa,
Marcos Petrônio da Costa Araújo. A última
entrega ocorreu em janeiro deste ano, quando
um cliente de Brasília recebeu em casa um
utilitário da Land Rover blindado.
Outro empecilho apontado é a burocracia. As
autorizações para modificar os veículos são
de exclusividade do Ministério do Exército,
que exige o envio de um requerimento à Região
Militar onde reside o proprietário do carro.
Só de posse dessa autorização as empresas
especializadas têm permissão para revestir
com blindagem qualquer veículo até o nível
III-A (leia quadro). A proteção especial evita
a penetração de projéteis de uma pistola Magnum
44. O veículo blindado só pode ser retirado
da empresa após o registro nos órgãos de trânsito.(G.G.)
Custo alto R$ 35 mil a R$ 60 mil
é em quanto varia o preço da blindagem de
um veículo |
Editor: Carlos Alexandre
// carlos.alexandre@correioweb.com.br
Subeditores: André Garcia, Sibele
Negromonte e Valéria Velasco
e-mail: cidades@correioweb.com.br
Tels. 214-1180 214-1181 |
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